Mulher Maravilha

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“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”
Guimarães Rosa

É sim, queridas Patas… Navegar nessa vida requer muita coragem.

Não é fácil vivenciar as oscilações que, nem sempre, andam de mãos dadas com a nossa disposição de espírito e muitas vezes nos conduzem aos nossos infernos particulares e infinito, obrigando-nos a visitar, de perto,  nossos medos, nossas tentativas mal-sucedidas e exposições arrependidas. Fácil é sorrir e cantar o refrão dos Titãs, talvez titânico, em outros casos tirânico, “é preciso saber viver, é preciso saber viver”…No entanto, passada a glorificação momentânea e fechadas as portas dos infernos particulares, os adeptos da simplificação existencial (e aee) não sabem se vão direto para as terapias ou para os bares (que, hoje, também vêm sendo considerados como tal) na tentativa frustrada de verem suas vazias incertezas explicadas ou amenizadas, ensurdecendo o som do sofrer.

De vez em quando, dá aquela sensação de ser sobrevoado pelas águias da angústia, acompanhadas pelos abutres da falta de perspectiva. A partir daí, vem a pergunta: é  mesmo preciso saber viver?

A resposta surge, de imediato: sim, é preciso saber viver ou, parafraseando Fernando Pessoa, simplesmente é preciso navegar. E esse navegar me traz a lembrança da fluidez da água, que só enfrenta abruptamente os obstáculos quando é necessário e na maioria das vezes flui, desvia, dança nas vias da vida até a sua totalidade, ao encontro de si mesma na imensidão.

E falando nela, a água, temos um natural e cristalino exemplo de coragem, que pode inspirar a todas nós. Ela desconhece obstáculos, porque apenas flui. Se está frio, ela tem o seu tempo: congela, tem paciência de ver o sol sair para continuar a sua jornada, tem uma aquiescência peculiar. Se está quente, evapora-se para voltar, mais tarde, novamente fluida, refrescando, ajudando a semear, prosperando. Muitas vezes, ela invade e assola, mas, não porque isso seja o seu propósito. Mesmo assim, continua, bela, num compasso contração-expulsão, que traduz a própria vida, o próprio ciclo dos fenômenos.

Coragem é o que ela tem, porque flui. Então, o que fazer quando a vida embrulha tudo? Uma boa resposta seria: viver e fluir como a água, afinal, viver aprende-se fluindo…


Mônica Mourão

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Perfil

Mônica Mourão - Jornalista por vocação. Acredito nos sonhos e nas pessoas. Amo animais, sobretudo os gatos. Tenho uma tatuagem e um piercing. Adoro lojas de produtos naturais. Trabalho com números, mas amo as letras. Ana Cláudia Sivieri - Escritora, fotógrafa e terapeuta. Ama viagens e filosofia pois elas representam a expansão da nossa própria alma. Acredita na transformação das pessoas e da vida, em seu constante movimento, daí vem sua curiosidade nata sobre as almas humanas.

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