Mulher Maravilha

Archive for junho 2009

cachoeira
“O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”
Guimarães Rosa

É sim, queridas Patas… Navegar nessa vida requer muita coragem.

Não é fácil vivenciar as oscilações que, nem sempre, andam de mãos dadas com a nossa disposição de espírito e muitas vezes nos conduzem aos nossos infernos particulares e infinito, obrigando-nos a visitar, de perto,  nossos medos, nossas tentativas mal-sucedidas e exposições arrependidas. Fácil é sorrir e cantar o refrão dos Titãs, talvez titânico, em outros casos tirânico, “é preciso saber viver, é preciso saber viver”…No entanto, passada a glorificação momentânea e fechadas as portas dos infernos particulares, os adeptos da simplificação existencial (e aee) não sabem se vão direto para as terapias ou para os bares (que, hoje, também vêm sendo considerados como tal) na tentativa frustrada de verem suas vazias incertezas explicadas ou amenizadas, ensurdecendo o som do sofrer.

De vez em quando, dá aquela sensação de ser sobrevoado pelas águias da angústia, acompanhadas pelos abutres da falta de perspectiva. A partir daí, vem a pergunta: é  mesmo preciso saber viver?

A resposta surge, de imediato: sim, é preciso saber viver ou, parafraseando Fernando Pessoa, simplesmente é preciso navegar. E esse navegar me traz a lembrança da fluidez da água, que só enfrenta abruptamente os obstáculos quando é necessário e na maioria das vezes flui, desvia, dança nas vias da vida até a sua totalidade, ao encontro de si mesma na imensidão.

E falando nela, a água, temos um natural e cristalino exemplo de coragem, que pode inspirar a todas nós. Ela desconhece obstáculos, porque apenas flui. Se está frio, ela tem o seu tempo: congela, tem paciência de ver o sol sair para continuar a sua jornada, tem uma aquiescência peculiar. Se está quente, evapora-se para voltar, mais tarde, novamente fluida, refrescando, ajudando a semear, prosperando. Muitas vezes, ela invade e assola, mas, não porque isso seja o seu propósito. Mesmo assim, continua, bela, num compasso contração-expulsão, que traduz a própria vida, o próprio ciclo dos fenômenos.

Coragem é o que ela tem, porque flui. Então, o que fazer quando a vida embrulha tudo? Uma boa resposta seria: viver e fluir como a água, afinal, viver aprende-se fluindo…

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Nada melhor para uma cisne do que começar o seu dia em águas tranquilas!

             Lendo uma revista Bons Fluidos do início de 2009, encontrei algumas dicas bacanas para começar o dia de forma harmoniosa e tranquila. O texto de Liane Alves, abaixo transcrito, mostra como as primeiras horas da manhã são as mais indicadas para as práticas espirituais, pois a mente está relaxada. 

Veja como orações e meditações logo ao sair da cama podem melhorar o seu dia!

A credite: ações mais focadas, um maior equilíbrio emocional e um corpo mais relaxado durante o dia dependem muito da qualidade do despertar. Por isso, vale a pena reservar algum tempinho pela manhã para se conectar com o que há de melhor dentro de você. “Na Índia, o horário matinal é chamado de amrit vela, ou seja, a hora do néctar. É o momento ideal para meditar. A cidade e a natureza estão ainda adormecidas, tudo está mais calmo e sossegado”, fala Luciana M. S. Ferraz, coordenadora da Organização Brahma Kumaris, de São Paulo. “Também é o período em que os pulmões estão na sua mais alta atividade, facilitando a respiração e a captação de energia vital.”

E não é só. Nesse período, existe uma introversão natural, fazendo com que a interiorização e o silêncio fiquem mais fáceis. “Acontece uma vontade espontânea de estar quieta e falar pouco. Com isso, a conexão com Deus, o Ser Supremo, torna-se mais livre e desimpedida, sem estar obstruída por um excesso de pensamentos”, diz Luciana M. S. Ferraz.

Embora a tradição hinduísta considere o período do amrit vela das três às cinco da manhã, podemos estendê-lo até o alvorecer, ou cerca de seis horas da manhã. É o horário em que podemos estabelecer “uma hora santa”, segundo Robin S. Sharma, autor do livro Descubra Seu Destino e do best-seller O Monge Que Vendeu Sua Ferrari (Verus). “Use esses 60 minutos para literatura de sabedoria, meditar ou rezar, refletir sobre o estado atual de sua vida, o progresso dos seus sonhos e ideais ou o que você poderá fazer nas restantes horas do dia para que ele tenha mais sentido”, propõe. “A realização desse ritual diariamente faz com que cada um viva o melhor de si”, garante Sharma.

Os passos principais do “café da manhã” espiritual envolvem uma visualização logo ao acordar, um exercício físico- espiritual revigorante, uma meditação e leituras espirituais, todas práticas feitas antes da primeira refeição. Caso não dê para fazer tudo, nada de estresse!

Escolha uma atividade e inicie sua jornada de um jeito diferente. Faz toda a diferença!

prisão

 Eu perco o chão, eu não acho as palavras
Eu ando tão triste, eu ando pela sala
Eu perco a hora, eu chego “no” fim
Eu deixo a porta aberta
Eu não moro mais em mim.

Metade,   Adriana Calcanhoto

O título dessa música da Adriana Calcanhoto já me faz questionar um pouco a respeito dos relacionamentos amorosos. Será mesmo saudável a idéia de que duas metades devam-se unir?

Há alguns anos, eu seria a primeira a levantar a bandeira do sim. Imersa em sonhos românticos e idealizados, não percebia que se entramos como “metades”, certamente é porque nos faltam partes que não necessariamente devam ser supridas pelo outro.

Depois de várias experiências amorosas e do respirar a brisa da maturidade emocional, sinto-me no dever de infomar a quem ainda acredita na “teoria das metades” que essa crença talvez componha o rol das piores falácias amorosas. Exatamente isso!

Para que haja saúde nos relacionamentos, é preciso que estejamos inteiras, donas de nossas vidas e conscientes do nosso próprio valor. Entra em ação a necessidade da autoestima, calcada no velho e sábio mandamento de amar ao outro como a nós mesmas. Sábios tesouros dos quais poucas de nós já se apropriou.

Tenho observado que, embora vivamos nessa aldeia global, moderna e com tantas facilidades, é cada vez mais comum encontrar comportamentos contrários a essa dinâmica, imobilizados pela própria rigidez ou ausência de perspectiva. Não quero, aqui, entrar na avaliação de uma possível relação dicotômica entre contemporaneidade e o comportamento humano, apenas comentar o que percebo, ouço e experimento.

Recentemente, conheci um homem pelo qual me interessei e achei que poderíamos ter um relacionamento até bom, por causa das afinidades e das qualidades dele: doce, bonito, sensual, atleta, sensível e… indisponível. Não aquela indisponibilidade clássica do tipo “sou casado, mas meu casamento está péssimo” ou “não me separo por causa dos filhos”… Não, nada disso. (?!) Uma indisponibilidade que nem mesmo ele conhecia e que acomete muitos homens e mulheres: a codependência.  Foi uma triste decepção.

Mas, que coisa é essa?

A codependência, tecnicamente chamada de “adicção”, é a ilusão de controlar sentimentos interiores, por meio do controle das pessoas, coisas e acontecimentos exteriores, de acordo com os autores Hemfelt, Minirth e Meier (1989).

Essa dependência pode ser um alcoolismo ou uma compulsão por gastos, comida ou drogas, por exemplo. Mas, também – e é disso que estou falando – pode ser aquele vício em pessoas e em relacionamentos problemáticos, destrutivos ou que não valham a pena; aqueles casos em que você não consegue se desvincular e enxergar possíveis humilhações ou situações abusivas pelas quais tenha passado e não vive relacionamentos saudáveis. Sabe quando você vive em função de alguém ou não vê a sua vida sem aquela pessoa? Por fim, isso acaba impedindo novos e saudáveis relacionamentos, podendo transformar-se em transtornos ou depressões? Você sai da sua “casa interna” e já não mora mais em você, ou seja, você se perde se angustia e necessita desse alimento tóxico, seja de que natureza for.

Queridas Patas, isso é mais comum do que se pensa!

Segundo dados divulgados pelo psicanalista Roberto Dantas, 80% das pessoas têm algum grau de codependência em nossa sociedade. Dificilmente diagnosticável, pois não se encontrava na catalogação psiquiátrica DSM, passando a ser considerada no DSM-III como um distúrbio de personalidade. Ainda é cedo para se dizer que seja um distúrbio de personalidade, pois a codependência ainda é muito “jovem” entre nós, e poucos estudos têm sido feitos sobre ela.”

De acordo com a psicóloga Itamara Scaini, “é bem possível que cada um de nós, em nosso inferno particular, deva possuir particularidades e singularidades próprias. No entanto, ao entrar em contato com a codependência afetiva, tenho observado que tal fenômeno faz emergir no codependente, angústias catastróficas e ansiedades dilacerantes.”

O assunto requer uma profundidade mais cuidadosa. Como cisnes que queremos ser, precisamos navegar linda e superficialmente nesse lago, sempre alerta, observadoras e amantes de si mesmas!

Logicamente, nenhum ser humano está isento de uma certa “dependência saudável”, digamos assim, porque não somos autossuficientes. Gostamos de nos relacionar, precisamos da afetividade e do estímulo de outros e isso implica o equilíbrio da alternância entre dar e receber, precisar e ter para dar.

Porém, o mais importante é saber mensurar e exercer esse grau de alternância. Nem egoísta e autossuficiente (ilusão!) demais, nem dependentes do outro para sermos felizes, saudáveis e equilibradas. Do contrário, estaremos sujeitas à deterioração da nossa própria autonomia e navegaremos em direção à dependência emocional destrutiva.

O ideal é analisar-se, reconhecer e buscar ajuda, seja por meio de terapias tradicionais, holísticas e psiquiatria, seja por meio de grupos de apoio, que dão muito certo também.

Há dois grupos interessantes, gratuitos, espalhados por todo o Brasil:
www.mada.org.br

www.codabrasil.org

Vamos navegar em lagos cristalinos e saudáveis!

Para saber mais, recomendo alguns livros:
Co-dependência nunca mais e Para além da co-dependência (Melody Beatty)
Acolhendo a pessoa amada (Stephen Levine)
Mulheres que amam demais  (Robin Norwood)
Em busca de uma psicologia do despertar (John Welwood)


Mônica Mourão

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Perfil

Mônica Mourão - Jornalista por vocação. Acredito nos sonhos e nas pessoas. Amo animais, sobretudo os gatos. Tenho uma tatuagem e um piercing. Adoro lojas de produtos naturais. Trabalho com números, mas amo as letras. Ana Cláudia Sivieri - Escritora, fotógrafa e terapeuta. Ama viagens e filosofia pois elas representam a expansão da nossa própria alma. Acredita na transformação das pessoas e da vida, em seu constante movimento, daí vem sua curiosidade nata sobre as almas humanas.

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